A decisão do Copom de manter a Selic em 10,5% foi unânime e esperada. Mas o que importa para o mercado de renda fixa não é a decisão em si — é o que a curva de juros precifica para os próximos 12 a 24 meses.
Após o comunicado, observamos um movimento de "bull flattening" na curva: fechamento nos vértices curtos (DI Jan/26 e Jan/27) e relativa estabilidade nos longos. Isso sugere que o mercado interpretou o comunicado como ligeiramente mais dovish do que esperado — ou seja, com maior probabilidade de corte de juros nos próximos meses.
| Vértice | Taxa | Variação (dia) | Implícito |
|---|---|---|---|
| DI Jan/26 | 10,42% | -5bps | Selic média 10,3% em 2025 |
| DI Jan/27 | 10,85% | -3bps | Selic terminal ~9,5% em 2026 |
| DI Jan/29 | 11,40% | +2bps | Prêmio de risco fiscal |
| DI Jan/31 | 11,75% | +3bps | Incerteza de longo prazo |
O mercado está precificando cerca de 100 pontos-base de corte até o final de 2026 — o que implica uma Selic terminal em torno de 9,5%. Isso é consistente com um cenário de inflação convergindo para a meta, mas com cautela sobre o ritmo do afrouxamento.
"A inclinação positiva da curva a partir do vértice de 2027 reflete o prêmio de risco fiscal — o mercado ainda não está convencido da sustentabilidade do ajuste fiscal no médio prazo."
Para o investidor de renda fixa, o trecho curto da curva (até 2 anos) oferece boa relação risco-retorno. O trecho longo (acima de 5 anos) oferece prêmio maior, mas com volatilidade significativa — adequado apenas para quem tem horizonte e tolerância a risco compatíveis.