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Política Monetária

Curva de juros após o Copom: o que os DIs precificam para 2025-2026

Por Rodrigo Carvalho · Analista Sênior · 28 jul. 2025 · 9 min de leitura

A decisão do Copom de manter a Selic em 10,5% foi unânime e esperada. Mas o que importa para o mercado de renda fixa não é a decisão em si — é o que a curva de juros precifica para os próximos 12 a 24 meses.

Após o comunicado, observamos um movimento de "bull flattening" na curva: fechamento nos vértices curtos (DI Jan/26 e Jan/27) e relativa estabilidade nos longos. Isso sugere que o mercado interpretou o comunicado como ligeiramente mais dovish do que esperado — ou seja, com maior probabilidade de corte de juros nos próximos meses.

O que os DIs estão precificando

VérticeTaxaVariação (dia)Implícito
DI Jan/2610,42%-5bpsSelic média 10,3% em 2025
DI Jan/2710,85%-3bpsSelic terminal ~9,5% em 2026
DI Jan/2911,40%+2bpsPrêmio de risco fiscal
DI Jan/3111,75%+3bpsIncerteza de longo prazo

Nossa interpretação

O mercado está precificando cerca de 100 pontos-base de corte até o final de 2026 — o que implica uma Selic terminal em torno de 9,5%. Isso é consistente com um cenário de inflação convergindo para a meta, mas com cautela sobre o ritmo do afrouxamento.

"A inclinação positiva da curva a partir do vértice de 2027 reflete o prêmio de risco fiscal — o mercado ainda não está convencido da sustentabilidade do ajuste fiscal no médio prazo."

Para o investidor de renda fixa, o trecho curto da curva (até 2 anos) oferece boa relação risco-retorno. O trecho longo (acima de 5 anos) oferece prêmio maior, mas com volatilidade significativa — adequado apenas para quem tem horizonte e tolerância a risco compatíveis.

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Rodrigo Carvalho
Analista Sênior de Renda Fixa na ProNorthGuide. Economista pela FGV-SP, com especialização em mercados de juros. 12 anos de experiência em gestão de recursos.